O cachorro estava ali,
talvez já conhecesse bem o lugar. Perambulando todos os dias em busca do que talvez nem
ele soubesse. Um pequenino nômade, vulgarmente chamado de vira-lata.
Pessoas indo e vindo todos os dias a todo o momento.
‘Será que alguém me vê?’.
No cabalístico dia dos três onzes, cruzaram seu caminho três figuras distintas. Três forasteiros vindos de
terras distantes. Dizem que os animais são mais sensitivos que os seres humanos.
Talvez.
Talvez só esse fosse.
Entre todas aquelas pernas
que por ele passavam, de longe ele avistou as dos três forasteiros, que pelas
muitas caminhadas juntos já possuíam o mesmo ritmo nos passos. O pequenino nômade
os enxergou como se visse algo pela primeira vez. Talvez seus sentidos aguçados
tenham lhe segredado que ali estavam pernas pertencentes a almas que finalmente o
olhariam.
Seu corpo o denunciou, foi
rápido que os três perceberam a alegria estampada no balançar do rabo.
O viram, finalmente o viram!
Os três forasteiros que muito têm de
especial, o viram!
E depuseram algum tempo de
sua correria àquele ser feliz e entusiasmado. É verdade que entre os três
cogitou-se a possibilidade de o levarem por seus caminhos. Três forasteiros e um pequeno
nômade.
O mundo cruel quis que por fim seus
caminhos seguissem direções distintas.
O carinho feito na alma do pequeno
nômade e o sorriso posto nos rostos dos três forasteiros.
Nômades são nômades e
forasteiros são forasteiros. Quem sabe um dia, as duas retas que agora correm paralelas voltem a
se encontrar no infinito?
Nenhum comentário:
Postar um comentário