Ao voltar pra casa, cantarolava aleatoriamente sem perceber uma música dos Smiths quando o trecho muitas vezes pensado, me tocou de maneira singular.
I am human and I need to be loved just like everybody else does
Já dizia um suposto sábio que um dia conheci, as histéricas só querem ser amadas. Bom...assim como todos os seres humanos, certo?
Até mesmo aqueles cujo transtorno de personalidade antissocial a exemplo dos psicopatas, que por mais que sua conduta seja prejudicial aos outros, também querem ser amado. Se no caso, não pelos demais, amado por si mesmo.
Pelo caminho então parei para imaginar uma sociedade (se não totalmente, quase) oposta à nossa. Onde a necessidade emocional não residiria em ser amado, e sim em ser odiado. Imagine que todos nascessem envoltos em uma atmosfera de total amor incondicional provindo de todos os vértices de seu meio social. Imagine aquele amor dos mais melosos que pode-se extrair das histórias de romance piegas.
Pai, filho, porteiro, policial, médico, prefeito, famosos.
Todos partilhando e sentindo amor puro e verdadeiro ao próximo. Sendo a única alternativa a esse sentimento, a indiferença, que por fim logo desapareceria no momento em que pessoas se conhecessem.
Negros, pretos, pobres, homossexuais e todas as minorias não se dariam conta de seu status de minoria, pois o amor e respeito seriam a cegante máxima.
Qual seria a necessidade inquietante que envolveria esses corações amorosos que não o raro ódio?
Despertar naturalmente esse sentimento seria uma desejada e árdua tarefa a se cumprir durante a vida. As menininhas sonhariam com o dia em que os namoradinhos lhes dissessem: "Eu te odeio.".
Existiriam aqueles que procurariam a todo custo encontrar o ódio e se entregar totalmente à ele.
Livros sobre como despertar o ódio da pessoa que você mais deseja que lhe odeie seriam lançados.
Aqueles que se assumissem odiadores um pelo outro para o resto da vida seriam invejados.
A eterna busca pela satisfação do ser humano teria sua natural continuidade. E o que é essa busca se não o vislumbre do desconhecido? O que muitos não sabem é que o desconhecido está logo ali ao lado, mora pertinho; tal qual esses dois amigos íntimos que dividem a mesma casa: amor e ódio.
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